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terça-feira, 8 de setembro de 2015

El Niño deve ser um dos mais fortes das últimas décadas


O El Niño deverá ser intenso neste ano. Segundo meteorologistas do Cptec/Inpe, as medições do aquecimento do Oceano Pacífico estão se comportando de maneira semelhante a 1998, quando a temperatura das águas ficou 5°C acima do normal. O El Niño que está atuando no Brasil pode ser um dos mais intensos das últimas décadas. Neste ano, o Oceano já está 4°C mais quente do que a média. Especialistas acreditam que as temperaturas podem aumentar ainda mais ou pelo menos se manter nos próximos meses. O fenômeno é responsável por intensificar a seca no Nordeste do País e causar chuva em excesso no Sul.

O cenário preocupa melonicultores nordestinos, que costumam intensificar o plantio a partir de setembro para terem volume de fruta suficiente para abastecer os mercados interno e externo para as festas de final de ano. Assim, em meio a este cenário, produtores do Rio Grande do Norte/Ceará poderão reduzir a área destinada ao plantio do melão durante o pico de plantio da nova safra.

Com relação ao Vale do São Francisco (BA/PE), dados da Chesf apresentam nova redução da vazão do Reservatório de Sobradinho, que nesta semana passou a operar com apenas 12,1% de sua capacidade. De acordo com produtores da fruta, a escassez de água ainda não tem atrapalhado a irrigação, de modo que os melões apresentam boa qualidade. Porém, as duas praças já apresentaram reduções significativas da produtividade na parcial deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Para os produtores de maçã, maleicultores afirmaram que as chuvas no Sul até então não ocasionaram danos aos pomares. Ao contrário, a chuva era desejada durante o período de dormência das macieiras. Em setembro, no entanto, as chuvas podem ocasionar impactos negativos à produção. Isso porque, com as precipitações, as abelhas responsáveis pela polinização não conseguem realizar o transporte dos grãos de pólen, impossibilitando a fecundação das flores.

Daiana Braga – Equipe Hortifruti Brasil

 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Chuva interfere na colheita de HFs de Sul a Nordeste, reduzindo oferta no mercado


Vem mais chuva por aí! As atividades de colheita poderão ser limitadas pelas precipitações previstas para esta semana em estados do Sul e do Sudeste. Dependendo da intensidade das chuvas, produtores de hortaliças como cebola, batata tomate, e de frutas, como uva e melão, poderão ter que reduzir os trabalhos de campo, uma vez que a umidade dificulta o acesso ao campo. Assim, a oferta desses produtos pode ser menor no mercado nos próximos dias. Além disso, a umidade pode favorecer o surgimento de doenças fúngicas e também reduzir o ritmo de maturação.

A chuva pode atrasar a colheita de cebola em Monte Alto/São José do Rio Pardo (SP) e diminuir o volume que seria ofertado nos próximos dias. Desta forma, esta será mais uma semana de preços elevados de cebola.

A colheita de batata também poderá ser limitada no Paraná, em São Paulo e no Sul de Minas Gerais. Em Ibiraiaras/Santa Maria (RS), no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e em Cristalina (GO), deve chover de forma distribuída, de forma que não comprometerá tanto a colheita.

O tomate também não deve escapar das chuvas, e produtores podem ter que frear o ritmo de colheita em Araguari (MG), Sumaré e Mogi Guaçu (SP), Norte do Paraná, Venda Nova do Imigrante (ES) e São José de Ubá e Paty do Alferes (RJ). Além de atrasar a colheita, o tempo frio ainda reduz a maturação do tomate.

Produtores de uva de Jales (SP) esperavam que os problemas decorrentes das chuvas durante as podas acarretassem em problemas na qualidade. Entretanto, até o momento, a qualidade da uva local é considerada satisfatória por agentes. Contudo, a precipitação acabou afetando a quantidade de cachos por pé, podendo impactar na produtividade média da safra deste ano na região.

Em Natal (RN), produtores de mamão havaí estão recebendo chuvas constantes. Com isso, o manejo e a colheita estão prejudicados, causando redução na oferta da fruta. Além disso, as chuvas contínuas prejudicam a pulverização de fungicidas. Assim, há risco de aparecimento de doenças fúngicas nos mamoeiros.

O outono e inverno de 2015 têm sido um pouco mais úmidos neste ano por conta da atuação do El Niño no País. O fenômeno causa chuva acima da média no Sul e seca em boa parte do Nordeste. Para o Sudeste, as precipitações e as temperaturas também podem ficar acima da média na estação do frio, mas a intensidade do fenômeno ainda é incerta.

Por Daiana Braga – Equipe Hortifruti Brasil

terça-feira, 12 de agosto de 2014

El Niño não se confirma, e chuva no Sudeste pode voltar na primavera


Foto: Divulgação
As últimas análises climáticas indicam que, de fato, não houve a ocorrência do El Niño no Brasil. O que ocorreu foi o aquecimento das águas do Oceano Pacífico (o que causa a formação do El Niño) em meados do primeiro semestre do ano, o que provocou chuvas acima da média na região Sul em julho. No entanto, segundo explicações da Somar Meteorologia, o aquecimento durou menos de cinco meses consecutivos, período necessário para que haja confirmação do El Niño.

Ainda conforme a Somar, o que tem ocorrido nos últimos meses, na verdade, é o desaquecimento do Oceano Pacífico, condição que deve permitir com que as chuvas reduzam gradativamente no Sul do País daqui para a frente. A região ainda deve receber algumas frentes frias no decorrer de agosto, mas em volume bem menor em comparação com o do primeiro semestre.

Desta forma, o cenário climático de seca no Sudeste neste inverno deve continuar, e a situação só deve se reverter com o início da primeira, em setembro – período do retorno do regime de chuva. Vale lembrar, no entanto, que o Sudeste enfrenta uma longa e atípica seca desde o início do ano. No último verão, por exemplo, o índice pluviométrico ficou bem abaixo do normal, o que explica os mais baixos índices dos reservatórios da história. Quanto ao Nordeste, a estiagem ainda continuará, com exceção da faixa leste da região.

Para as hortaliças, as chuvas são aguardadas com ansiedade, uma vez que o plantio da temporada de verão começa agora neste segundo semestre, e a disponibilidade de água será fundamental para a realização das atividades de campo.

Já para as frutas, as chuvas precisam ocorrer o quanto antes, especialmente na região Sudeste. Para a laranja do estado de São Paulo, por exemplo, as floradas da próxima safra começam a brotar entre agosto e setembro, e é necessário um bom volume pluviométrico para induzir essas floradas. A continuidade da chuva é muito importante também após a fase de floração dos pomares para que haja bom desenvolvimento dos chumbinhos (frutos em formação), além de contribuir para a boa vitalidade das plantas.

Por Daiana Braga e Renata Pozelli Sabio
Equipe Hortifruti Brasil

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Safra 2014/15 de melão no RN/CE pode reduzir com a seca

Parte do Nordeste, região onde concentra importante área produtora de frutas do Brasil, está recebendo chuvas significativas há algumas semanas. No entanto, esse não é o cenário que ocorre no maior polo produtor de melão do País, o Rio Grande do Norte/Ceará. Conforme colaboradores consultados, pouco é o volume de chuva que tem ocorrido nesta região. E esse cenário não é de hoje: há três anos o regime de chuva está sendo insuficiente em algumas regiões.

Mesmo que a cultura do melão não necessite de grandes volumes de água, é preciso que haja uma quantidade suficiente de água para que produtores realizem adequadamente a irrigação e os tratos culturais. Os níveis dos reservatórios estão baixos desde meados de 2013, o que compromete os trabalhos de irrigação.

Em Mossoró (RN), por exemplo, o volume de chuva observado em abril foi de 42,6 mm, sendo que a média histórica é de que chova nesse mês 195,1 mm, segundo dados da Somar Meteorologia. As chuvas em março foram um pouco mais significativas, mas mesmo assim não compensou a longa seca na região. Nesta mesma região potiguar, choveu o equivalente a 226,9 mm em março, sendo que a média histórica para o mês é de 151 mm.

Dado esse comportamento climático no Rio Grande do Norte/Ceará, a área destinada ao cultivo de melão pode reduzir na próxima safra 2014/15.

Produtores seguem na expectativa que o clima possa ser mais úmido ainda neste mês de maio. No entanto, com a sinalização da ocorrência do El Niño no Brasil para julho e agosto, a falta de chuva ainda será um problema que produtores de melão terão de enfrentar. Isso porque o El Niño traz chuva abaixo da média histórica ao Nordeste e concentra mais no Sul e Sudeste.

Quanto ao Vale do São Francisco, outra região importante de produção de melão, o clima não tem sido um problema aos produtores locais. Em abril, as precipitações somaram 180,3 mm conforme a Somar, e a média histórica é de 51,4 mm. Além disso, o Vale do São Francisco é contemplado pelo rio São Francisco.

Por Daiana Braga – Colaboração: Flávia Noronha do Nascimento